Blog Post

O tempo de cada um

  • Por CompletaMente
  • 23 out., 2022
Texto por Ana Viera Patrícia Guinapo Terapeutas da Fala do Consultório CompletaMente

Somos seres únicos! E como tal, temos a nossa própria personalidade, história de vida, composição genética e contextos específicos de aprendizagem. O mesmo acontece no mundo infantil. Cada criança tem a sua forma de interagir e de se desenvolver, é nesse sentido que surge a frase “cada um tem o seu tempo”. Mas, poderá ser sempre assim?

Uma expressão comumente utilizada, nos mais diversificados contextos que gera algum cuidado e atenção.

Afinal cada criança tem sim o seu tempo, no sentido em que se desenvolve de acordo com as suas características especificas, ambientes a que é exposta e situações que experiencia.

Porém, esse tempo obedece a uma curva de desenvolvimento típico, padronizada por etapas de desenvolvimento. O desenvolvimento da criança depende de vários fatores, que influenciam a aquisição das diferentes metas de desenvolvimento, sendo assim, algumas crianças andam mais cedo, outras demoram um pouco mais para falar e na maioria das vezes isso não representa um problema.

Mas até quando se deve esperar?

As modificações evolutivas e progressivas pelas quais as crianças passam, apresentam um intervalo de normalidade para serem alcançadas, mas isso não significa que cada um tenha o seu próprio tempo indefinidamente. Quando a criança não adquire competências básicas de linguagem, dentro do tempo considerado padrão é necessário redobrar a atenção. Um atraso muito prolongado pode indicar que essa criança precisa de estimulação para se desenvolver corretamente e algumas vezes os estímulos familiares/escolares não são suficientes.

Quando procurar ajuda?

Certamente não devemos comparar as crianças da mesma idade, nem entrar em desespero porque a criança não atingiu determinada etapa do desenvolvimento, mas devemos estar em alerta quando existirem atrasos distintos e prolongados. O rastreio e diagnóstico desses atrasos permitem o encaminhamento da criança para equipas de intervenção especializadas.

No caso da Terapia da Fala, a intervenção precoce centra-se na promoção de uma comunicação eficaz e funcional da criança, contribuindo positivamente para a sua participação e interação social. A idade não deve ser um fator determinante para procurar, ou não, um Terapeuta da Fala, mas sim as dificuldades que a criança pode apresentar ainda antes dos 3 anos. Isto é fundamental para que seja desenvolvida uma abordagem funcional, direcionada à problemática com o objetivo de atingir melhorias rápidas com menor prejuízo na qualidade do desenvolvimento global da criança. Trata-se de um apoio dirigido à criança e à família interveniente, que atua perante os primeiros sinais de desenvolvimento que se afastam daquilo que é considerado aceitável.


E porque é que o envolvimento dos Pais e Educadores é tão importante?


Comunicar implica um processo dinâmico que é moldado por fatores intrínsecos à criança e à sua interação com o ambiente. Sendo um processo contínuo, a colaboração dos Pais e de todos os envolvidos no quotidiano da criança é essencial e decisiva no decurso das aquisições e aprendizagens. É importante conhecer e compreender as competências, as necessidades e o perfil de funcionamento da criança para que o trabalho possa ser enquadrado e adaptado. No fundo, possibilita uma passagem de informação contínua, aumentando a compreensão dos seus comportamentos e necessidades, através do apoio, partilha de recursos e treino orientado para que todos os momentos de interação da criança e intervenientes possam ser mais eficazes.

A deteção e intervenção ao nível das alterações na comunicação, quando realizada o mais precoce possível permite em primeira instância, reduzir o impacto desta alteração na vida da criança. Por exemplo, no caso de uma criança que omite ou substitui um som por outro, a intervenção irá facilitar a melhoria na produção e expressão do som, o que poderá reduzir o tempo de intervenção, pois a criança aprende mais cedo a forma correta de o produzir e a consolidação do mesmo. Por outro lado, permite maximizar o sucesso da comunicação que tem com os outros, evitando experiências de interações fracassadas e frustrantes.
Este artigo faz parte do Volume 8 da Revista CompletaMente, leia a versão online aqui.
Share by: